Arquivos para o mês de Janeiro de 2010
Paisagens
Sair do Rio de Janeiro representa uma mudança total de apreciação da paisagem. A cidade nos acostuma ao deslumbramento magnífico de habitar um planeta. A vida em outras formas naturais equilibra-se e apresenta-se diariamente. Em São Paulo somos espectadores de nossa própria realização. Aqui as efemérides são outras. O céu anda abastecido de eletricidade e quando a chuva alcança nossa pele pensamos mais na química que na pureza. Hoje não perdi a vontade de publicar uma coletânea das maravilhosas nuvens cinzas de São Paulo. Seria meu primeiro i-tablebook para ipad i-mediato.



no século XIX
Mas quase tudo igual


Desfile do coletivo OEstudio
Foi projetado em uma tela de 30m no SPFW. Pureza pura!!!
Sinalizações da exposição Glaziou e os jardins sinuosos
ícones criados por Lola Vaz e da Luiza Marcier para as salas da exposição.




LIVROS DA NOSSA ESTANTE 2
Italo Calvino publicado em Portugal na coleção "O livro de bolso"

Belo bela
O poeta Chacal e Fernanda D'Umbra dia 6 na gráfica Marly

Texto no Prosa Online
Este texto aqui está lá
Em 2006 a Dantes desencarnou de seu corpo físico e deixou de ser uma livraria. Já estávamos em nossa segunda vida, no cinema Odeon. A primeira completou 11 anos maravilhosamente bem vividos no Leblon. A ideia foi acabar com a esquizofrenia de manter duas atividades envolventes, a editorial e a livreira, e optar por uma delas.
Havia projetos engavetados por falta de tempo. O gabinete de curiosidades de Domenico Vandelli http://www.dantes.com.br/livro.php?id=52, por exemplo, permanecia na lista de pendências desde 1999. O primeiro passo foi mergulhar de cabeça neste projeto. Com apoio da FINEP, a Dantes levantou recursos para a pesquisa em bibliotecas na França, em Portugal e no Brasil, no intuito de digitalizar documentos do século XVIII sobre viagens filosóficas ao território brasileiro e naturalistas discípulos de Vandelli. O tempo foi fundamental. Talvez se não aguardássemos tanto para realizar este projeto não contássemos com o mundo wireless e a possibilidade de carregar o escritório num laptop. Esta história é longa e parte está contada nos livros editados e na exposição que inaugurou o Museu do Meio Ambiente, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e que esteve no Inhotim em 2009.
Por outro lado, mesmo com um projeto do tamanho do Vandelli, a questão da existência física e concreta tornou-se um assunto fundamental. Por isso, com o mesmo rigor, foi realizada a edição superlimitada do Catálogo do Conde de Fortas (1840), uma lista de livros que não existiam para um leilão que não aconteceu de um conde que nunca existiu. A experiência em outros formatos (tiragens pequenas, exposições, coleções de moda...) de alguma forma já estava presente em nosso catálogo gerado inicialmente de dentro de uma livraria de livros antigos. Os projetos de edição podem ser grandes e existir de forma não impressa, como de fato é a exposição "Glaziou e os jardins sinuosos" http://www.jbrj.gov.br/, ainda em cartaz no Museu do Meio Ambiente. Ou podem ser minímos como foi a edição de dez exemplares bordados em linho do "ABC de Bolso" http://www.dantes.com.br/arquivo.php?cod=100069.
A marca da Dantes é a proa de uma pequena caravela sobre um símbolo do infinito. É um emblema e também uma vocação. A estilista Luiza Marcier um dia me falou sobre karmas empresariais. O karma da Dantes é com certeza falar do tempo, daí tantos projetos que surgem de estantes empoeiradas e se baseiam em pesquisas. Além disso, suponho que nosso karma seja também o da navegação. Esta semana coincidentemente dois projetos da Dantes desembarcam na praça Mauá. Um no Fashion Rio, o Bandeirolas cariocas http://www.dantes.com.br/livro.php?id=48 e http://www.flickr.com/photos, uma edição de papéis de pipa com estampas neoconcretas e pops alinhados como bandeirinhas de festa junina. O desejo é que seja um projeto copiado até se tornar autêntico, e já foi realizado na edição de 2006 do riocenacontemporânea, nas vitrines das livrarias Travessa e na livraria Ponte de Tábuas.O outro projeto é o lançamento de um livro na Gráfica Marly. A Gráfica Marly não sai da minha cabeça. Praticamente uma esquina suspensa da avenida Rio Branco com a Praça Mauá. Trabalha ainda com tipografia, relevo francês, relevo americano e offset em uma cor (uma raridade em tempos de supermáquinas).
O dono se chama Itamar e os impressores, quase a tripulação de um antigo navio, são o Orlando, o Ademar, o Gelson e o Joel. O charme vem também da bela Cirlea, esposa do Itamar que está grávida de sete meses. A gráfica tem um trabalho sofisticadíssimo. A impressão é de luxo e papel superselecionado.

Encontrei a Gráfica Marly perguntando ao jornaleiro da Praça Mauá se havia alguma tipografia por perto. Estava com a Carô Veiga, que realiza comigo o projeto da bandeirolas cariocas. A Gráfica Marly tem muito a ver com a Dantes Livraria e seu imaginário navegante. O Gelson faz barquinhos de papel que ficam espalhados pelos cantinhos da oficina e o Ademar tem uma medalha de âncora presa ao teto sobre a máquina onde trabalha. A alma do lugar, tão perto do cais do porto, carrega um clima de sofisticação de tempos remotos. Explorando as caixas onde guardam a memória dos antigos trabalhos encontrei papéis de carta de Zuzu Angel e outos cartões maravilhosos. O livro da Dantes (sem título) foi impresso com muita tranquilidade: o Gelson montou, o Ademar imprimiu e a Ci fez a revisão impecável.

É maravilhoso o trabalho na escala humana, o ritmo da máquina, a elegância dos tipos móveis e as caixinhas onde vem os cartões. O lugar é tingido da cor preta predominante nas impressões. O lugar é pura impressão. Fiz pela primeira vez meu cartão de visitas e ajudei a montá-lo com os tipos móveis. Irônico ver o www.dantes.com.br em tipografia. A Gráfica Marly é um portal no tempo que deve ser visitado. Encomendar trabalhos na Marly ajudará a revitalizar um tipo de serviço que pode continuar existindo paralelamente ao das grandes editoras. Nesta quarta, Dia de Reis, comemoramos o lançamento desta edição simples e preciosa que fala de encontros possíveis entre escritores, pequenas gráficas e esta editora navegante (ou navedantes) que vos escreve.
A entrevista com Carlito Azevedo é incrível!
Monodrama é belíssimo e estranho. Tem conversas e personagens que ressurgem. É o Carlito e suas imagens explicativas nonsense. Fui louca e distraída por não ter falado deste livro também como livro do ano. Nunca tinha classificado livros dessa maneira e acho que foi o excesso de listagens em todos jornais que me contagiou. Enfim, talvez seja uma besteira. Que dizer, Yuxin e Monodrama são livros da vida toda.
Por Mês
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