Arquivos para o mês de Outubro de 2010

24/10

24/10

mais uma

21/10

 ô anna ô anna acorda e vem vê o mar pegar fogo os peixinhos se arder
anna ô anna que faz na janela tô tirando as rosas e levando pra ela
acabei de ouvir o Mestre Aldenir do Cariri

2 coisas legais que li e ouvi

21/10

do Carlito Azevedo:

...um poema russo que tem um trecho lindo:

"O cão da cor do nascer do sol
ladra às costas do transeunte cor da noite"

- uau, deve ser demais ter um cão da cor do nascer do sol...
se eu tivesse um ia se chamar
hélio. em compensação conheço um
monte de transeuntes cor da noite, quase
todo transeunte é meio cor da noite.

 

Do Evandro Martins Fontes:

"a natureza do livro é lenta" 

ui

18/10

18/10


não lembro onde encontrei

15/10

email do tavinho paes

13/10


JOÃO,


acho que vou voltar com tudo depois de estar assistindo a esta hora 03:10h o resgate dos mineiros do Chile...


Primeiro que aquilo  era como sair de uma tumba vivo...


(tô quase chorando ... vi neste sinal de vídeo, sem importância para a reportagem, um sinal de iluminação ... vou sair da crise já!)


saiu o primeiro ... ora, que beleza!


... mas, o segundo deles, Mario Sepulveda Spinace, sai doze minutos depois... 


... sai rindo, fazendo piadas, cheio de alegria... 


... um cara bonitão ... parece até o Tico quando ele estava careca... 


... abraça todo mundo ... vibra ... cheio de energia.


... aí, uma revelação simples que passou desapercebida da reportagem ao vivo da CNN!


... o cara abraçou todo mundo (até a presidenta) ... entre eles estão os avós 


... aí, sem que os repórteres prestassem atenção e fizessem comentários, ele tira do bolso um livrinho de capa negra e entrega para a avó, dizendo que se não fosse aquele livro ele não teria aguentado nem teria estimulado seus colegas a se manterem vivos, enterrados a 290 metros, por 3 meses!!! 


... ela pega o livretinho e diz: no te dices que este libro te salvaria la vida! ... e os dois riram! 


... depois o cara foi pro hospital e se livrou dos jornalistas ocupados com a tragédia!


... nenhum repórter se deu conta do pequeno ato, mas seu amigo aqui viu aquilo e entrou em extase!


... reconheci aquela capa negra ... o sol que tem e o título grande, visível na TV ... eu já tive aquele livro, nos tempos de universidade, roubado da MURO, hoje Travessa (ele sumiu) ... parecia uma bíblia, mas não era ... era de um livro de ... adivinhe!!!


...poesia!!!


João, aquele livro de capa preta que saiu do bolso empoeirado do mineiro resgatado (deu pra ler o título na segunda vez - replay  que passou) era LA GRUTA DEL SILENCIO, do chileno Vicente Huidobro...


... o Chile lê muita poesia (é obrigatória como materia desde o primário) e não é à-toa que tem 2 nobels de literatura e os dois são poetas - Gabriela Mistral e Pablo Neruda!


aí vai um dos poemas que achei na web, daquele livro


Vicente Huidobro"Arte poética"


Que el verso sea como una llave 
Que abra mil puertas.
Una hoja cae; algo pasa volando; 
Cuanto miren los ojos creado sea, 
Y el alma del oyente quede temblando.


Inventa mundos nuevos y cuida tu palabra; 
El adjetivo, cuando no da vida, mata.


Estamos en el ciclo de los nervios.
 El músculo cuelga, 
Como recuerdo, en los museos;
 Mas no por eso tenemos menos fuerza:
 El vigor verdadero
 Reside en la cabeza.


Por qué cantáis la rosa, ¡oh Poetas!
 Hacedla florecer en el poema;


Sólo para nosotros
 Viven todas las cosas bajo el Sol.


El Poeta es un pequeño Dios.


tavinho


 

Espere, Baby

06/10

espere baby não desespere
não me venha com propostas tão fora de propósito
não acene com planos mirabolantes mas tão distantes
espere baby não desespere
vamos tomar mais um e falar sobre o mistério da lua vaga
dylan na vitrola dedo nas teclas
canto invento enquanto o vento marasma
espere baby não desespere
temos um quarto uma eletrola uma cartola
vamos puxar um coelho um baralho e um castelo de cartas
vamos viver o tempo esquecido do mago merlin
vamos montar o espelho partido da vida como ela é
espere baby não desespere
a lagoa há de secar
e nós não ficaremos mais a ver navios
e nós não ficaremos mais a roer o fio da vida
e nós não ficaremos mais a temer a asa negra do fim
espere baby não desespere
porque nesse dia soprará o vento da ventura
porque nesse dia chegará a roda da fortuna
porque nesse dia se ouvirá o canto do amor
e meu dedo não mais ferirá o silêncio da noite
com estampidos perdidos.

Chacal (do clube dos poetas aquáticos)

realidade aumentada dá o que pensar

06/10

Alvaro Barata está com um trabalho no MOMA. Clique e saiba mais...


02/10

2362) Os melhores começos (2-10-2010)

02/10

Busquei no Mundo Fantasmo

Um grande começo de livro é aquilo que os norte-americanos chamam de “hook”, gancho, algo que se crava no sujeito e o suspende no ar, levando-o consigo. (Ou pelo menos o ergue pelo cinturão.) São aquelas primeiras linhas que não deixam o cara ir embora. Encontrei há pouco um saite (aqui: http://www.infoplease.com/ipea/A0934311.html) que lista os 100 melhores começos de livros. Isto, é claro, reflete apenas o gosto e a informação do autor, e não quer dizer nada estatisticamente, a menos que tenhamos uns 20 ou 30 saites semelhantes e possamos cruzar as informações. E mesmo assim é evidente que os livros famosos, aqueles que todo mundo cita e repete, acabarão tendo precedência. Deve haver uma infinidade de começos de livros melhores do que “Durante muito tempo eu costumava me deitar cedo”, com que Proust inicia Em Busca do Tempo Perdido, mas esse singelo início se contaminou de tudo que vem em seguida, e da mística de Proust, e hoje aparece em todas as listas.

Melhor do que este é, por exemplo, o devastador início do Murphy (1938) de Samuel Beckett: “O sol brilhou, já que não tinha alternativa, sobre o nada de novo”. Todo o espírito do autor já vem anunciado nesta frase; é pegar ou largar. Reencontrei nessa lista um começo que eu conhecia há anos sem saber quem era o autor ou qual era o livro: “O passado é um país estrangeiro. Lá eles fazem as coisas de um modo diferente.” A frase é de L. P. Hartey, abrindo seu romance The Go-Between (1953), que aliás foi filmado por Joseph Losey (O Mensageiro).

Alguns professores recomendam que a primeira frase seja uma frase intrigante, que desperte a curiosidade e até mesmo a incredulidade do leitor, compelindo-o a ler o livro só para ver que diabo significa aquilo. Para mim, é o caso deste pitoresco início de Waiting (1999), de Ha Jin: “Todos os verões, Lin Kong regressava à Vila do Ganso para se divorciar de sua esposa Shuyu”. Começar o livro dando um tom de indefinição e dúvida é um recurso muito apreciado por autores pós-modernos, como mostram alguns exemplos: “Num certo sentido, eu sou Jacob Horner” (John Barth, The end of the road, 1958); "Foi assim, mas não foi” (Richard Powers, Galatea 2.2, 1995); “Isto tudo aconteceu, mais ou menos” (Kurt Vonnegut Jr., Matadouro 5, 1969).

Por questão de gosto pessoal, sinto-me bem quando um escritor abre seu livro com a enunciação de uma verdade absoluta, até porque muitas vezes o resto do livro se dedica a desmenti-la ou relativizá-la. Gosto do modo como Graham Greene começa The End of the Affair (1951): “Uma história não tem começo nem fim; escolhemos arbitrariamente um momento da nossa experiência para a partir dali olhar para trás ou para a frente”. Um início neste tom nos prepara para uma narrativa feita em retrospecto (estou supondo; nunca li esse livro) e para a percepção de que uma história não são os fatos que aconteceram no passado, são o que o narrador parece lembrar enquanto nos conta.

Por Mês