Arquivos para o mês de Março de 2010

Capitais migrantes e poderes peregrinos. O caso do Rio de Janeiro

31/03

Lançado ontem na Travessa esse livro despertará o interesse de quem reconhece o poder que a cidade do Rio de Janeiro exerce sobre seus habitantes e sobre toda a nação. O Zuenir Ventura escreveu recentemente sobre a autora e o livro:

No momento em que o Rio de Janeiro é alvo mais uma vez da cobiça alheia — como, aliás, nunca deixou de ser — nada melhor do que um livro que está sendo lançado (“Capitais migrantes e poderes peregrinos — o caso do Rio de Janeiro”; Papirus Editora) e que é um mergulho profundo, enciclopédico, na história da cidade e de sua gente bronzeada que só quer mostrar o seu valor.

Trata-se de uma viagem que começa no século XVI numa cidade-vila, passa pela capital do vice-reinado, detém-se na sede do Reino Unido, visita a capital da República, o Distrito Federal e... vem até nossos dias.

A autora, Barbara Freitag, é uma fina
scholar cuja trajetória se divide entre a Alemanha, onde nasceu e em cujas universidades estudou sociologia, psicologia e filosofia, Brasília, onde lecionou por mais dee o Rio, fonte permanente de paixão e estudo. A extensão de sua erudição pode ser avaliada pelos mais de 200 títulos da bibliografia e pelos cento e tantos personagens citados. Seu olhar, porém, não tem a arrogância do saber, é generoso e inclui vários níveis de registros, não só os cultos. Ela recorre ao testemunho dos primeiros viajantes estrangeiros, dos cronistas e romancistas dos séculos XIX-XX, dos jornais e revistas atuais e de artistas populares.

Ela pode falar da Escola de Frankfurt, na qual é especialista (foi aluna de Theodor Adorno e Max Horkheimer), mas também do rapper MVBill ou da novela “Duas caras”, de Aguinaldo Silva. Nada do que é carioca lhe soa estranho. A alemã Barbara se pergunta se não haverá nesse seu interesse em reconstituir os vários estágios pelos quais passou o Rio um desejo velado de “ver realizar-se o que pude presenciar em 1995 em Berlim: a reunificação das duas partes, a Ocidental e a Oriental”.

No caso agora, o sonho é devolver à Cidade Maravilhosa “a centralidade e a importância” de outros tempos.
30 anos, pr
Apesar de preocupada com as “duas faces” atuais do Rio — “por um lado, cenário de filmes como ‘Rio 40 graus’, ‘Bossa Nova’, ‘Orfeu Negro’, e novelas (‘Paraíso tropical’, e ‘Duas caras’); por outro, a capital dominada pelo tráfico de drogas e de armas (‘Tropa de elite’, ‘Cidade de Deus’)” — ela acredita que, diante da perspectiva da Copa do Mundo e das Olimpíadas, a antiga capital tem uma oportunidade sem precedentes de conquistar uma taça digna de seu passado: a da “capitalidade”.

Este conceito, criado pelo historiador de arte Giulio Argan, significa a capacidade que tem uma cidade de ser a síntese de um país, sendo ou não capital política ou administrativa. Ou seja, aquilo que o Rio de Janeiro sempre foi: “a caixa de ressonância da nação brasileira.” É um lugar-comum que ganha novo significado quando repetido por uma autora que, além de tudo, é a titular da cátedra de Cidade e Meio Ambiente da Unesco.

Insetomania

30/03

Insetos robôs



e brinquedos híbridos


assinante

30/03

Recebo os artigos que o Braulio Tavares escreve para o Jornal da Paraíba. Já fico animada quando chega o email. Ele tem um blog ótimo o mundo fantasmo que vale visitas constantes. Aqui um trecho da nova leva (2181-2190).


Sou meio suspeito para elogiar Borges. Ele me parece o tipo ideal de erudito: o que pensa o tempo todo, o que não apenas lê livros mas compara as idéias desses livros, o que medita profundamente sobre o que faz um texto ser superior a outro, e que cita mil autores, não para exibir erudição, mas para demonstrar o quanto as idéias são costuradas por milhões de mentes humanas e podem ser acessadas de diferentes pontos, diferentes obras.  Os 90 diálogos destes livros (dos quais li apenas três para redigir esta coluna) certamente são 90 portas diferentes para o mesmo labirinto.  Jessier Quirino diz que o poeta é um “prestador de atenção”, e pouca gente terá prestado tanta atenção ao nosso mundo mental quanto Borges.

@ no MOMA

27/03

O Moma incorporou o símbolo @ a sua coleção. O que isso significa? Leia aqui. É interessante pensar no valor conceitual e histórico dos signos. Durante a pesquisa para o livro do Vandelli foi surpreendente nos depararmos com @ em manuscritos do século XVIII.

7 X África + 10 X Cheetah

27/03

O blog do Dancing Cheetah tá muito legal. O post com 7 vídeos da Africa é pura curadoria curandeira. Coincidentemente Dj Cremoso tá lá também. E para baixar!


CHICO DA SILVA

26/03

O Chico da Silva merece um livro, uma exposição, um site!
O Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará possui uma coleção no acervo mas ainda não está online...

Gênio

24/03


DJ Cremoso, a maionese do brega de Belém do Pará, remixa Amy Winehouse e mais aqui.

O VAZIO

24/03

Qualquer paisagem está ocupada pelo armazenamento infinito de coisas, ideias e memórias foi o que me revelou o trabalho desta artista obcecada por containers: Mary Iverson.


Desert, 2009Puged sound with containers, 2009Terminal, 2009

23/03

O artista Stephen Shanabrook reproduziu sua série PAPER SURGERY para a campanha SHIRT da Comme des Garçons.



 

artigos

21/03

Um artigo no jornal sobre invisibilidade lembra muito o conto "A sombra e o brilho" do Jack London que publicamos na coletânea "O outro / 3 contos de sombra".


Já no scielo há um artigo acadêmico de Edson Luiz André de Sousa sobre o conto. 


O artigo apresenta uma leitura do conto de Jack London "A sombra e o brilho" mostrando o funcionamento do princípio da mímesis no processo de identificação. Propõe-se a expressão monocromos psíquicos para esses espaços mentais de indiferenciação entre o eu e o Outro. Adota-se a tese de Caillois, que afirma que o eu é permeável ao espaço. Nessa perspectiva, o tema do duplo, amplamente desenvolvido por Freud, é fundamental. Partindo-se de notas sobre o trabalho do fotógrafo cego Bavcar, procura-se mostrar alguns traços da estrutura do olhar. O artigo finaliza mostrando as conexões possíveis dessas reflexões para a prática psicanalítica.


Palavras-chave: Mímesis. Identificação. Monocromos Psíquicos. Jack London.

O outro - 3 contos de sombra

uau!

19/03

O UNIVERSO É UMA CAIXINHA DE SURPRESAS

19/03

Alan Guth propõe que a natureza está constantemente criando universos, cada vez com leis físicas ligeiramente diferentes, ou mesmo totalmente diferentes das que conhecemos.


Alguns desses universos, defendem os cientistas, não duram mais do que alguns instantes, colapsando sobre si mesmos e desaparecendo. Em outros, as forças entre as partículas são pequenas demais para dar origem a átomos ou moléculas.


Interessante? Leia mais aqui...

FOFICES

18/03

MUNDO LITERÁRIO

17/03

Folheando a revista Mundo Literário (1922- 1925) – editora Leite Ribeiro direção Théo Filho, Agrippino Griecco e Pereira da Silva – encontrei alguns textos do autor Oswald Beresford. Lembrava-me de ter lido seu nome nas páginas do Praia de Ipanema (Dantes, 2000) quando o Clarindo pega um taxi na av. Rio Branco só com o dinheiro para a viagem de ida e observa a cidade num travelling digno de cinema... "Um relvado. Farme de Amoedo e um descampado com pitangueiras em flor... rua Montenegro e ainda esqueletos de prédios em construção... um auto-ônibus verde-garrafa, com um único olho vermelho e a estrutura de um hipopótamo..."


No trajeto Clarindo lembra-se do suícidio de Oswaldo Beresford num taxi na praia do Leblon e em seguida ele mesmo salta do taxi e suicida-se na Niemeyer.


Oswald Beresford "varou o crânio com uma bala" em 1925, dois anos antes do "Praia de Ipanema" ser publicado. O primeiro texto que li de sua autoria na "Mundo Literário" foi escrito em 1923. Chama-se "Perfil de um Sybarita – trecho do livro Mme. Cosmópolis em preparação". O livro quando lançado em 1924 causou furor nos moralistas. A edição foi integralmente comprada por seu pai e atirada na fogueira.Tudo muito dramático e real, ainda mais quando me deparo com o futurismo em outro trecho super interessante de 1923: O INIMIGO GAZEIFICADO OU A VINGANÇA DO SENHOR CONCRETO


"O cubo de aço estacou. Vinha diretamente do 115º andar. Dele desceram: o homem chupado, o homem abracadabrante, o poeta das “baladas eletrosiderúgicas” e da “Mulher-locomotiva”, o novelista quilométrico da “História do homem muito elástico”, o sr. Concreto, presidente do Clube da Relatividade e da Enterprise Intercontinental Pour le Development de Suicide, o sr. Chlorureto, chefe da Universal Company for Instantaneous Restoring to Youth, Ltd., e Mahomet, de braços com o sr. Alfredo Ellis."


Agora estou em busca de um exemplar sobrevivente do "Mme. Cosmópolis". Se alguem tiver notícia, por favor escreva para: dantes@dantes.com.br


Hoje também li o texto "14 centímetros" do Rodrigo de Souza Leão. Outro autor que bateu de frente com a vida e com seu tempo. O mundo literário não é nada fácil.


Praia de Ipanema

TWITTER dos astronautas

16/03

... Mont Saint Michel/ França

a semana

15/03


 

morte, memória e o avesso das coisas

12/03

Mulheres pássaros de costas para o espelho de um espaço luxuoso ganham significados pelo fato de representarem o último trabalho do artista Alexander McQueen. Aves do mal agouro abatidas e refletidas em molduras douradas. E o lago de um espelho refletindo para trás e para o infinito do que fica na memória. Toda a criação humana/tecnologia é criada para este fim, o de sublimar nossa condição perecível. Escrita, fotografia, taxidermia, arte, digitalização e pesquisa. Eterno upload e "compreensão" de nossos pequenos passos rumo para frente (?).

A moda é passageira, como as pessoas, mas ressuscita, e elas não já disse Carlos Drummond de Andrade, mestre em Avesso das Coisas que pode ser baixado aqui.

E eu que ando maximizando meu monólgo interior além do divâ chego a seguinte conclusão óbvia:  a lembrança é emocional mas a memória é com certeza um processo de organização.

PS> E o texto da Erika Palomino sobre Alexander McQueen pode ser lido aqui!

Numerologia, banguelice e sorte.

09/03

A história de Miron, o milionário, maravilhosamente narrada por Marcelo Moutinho. Clique aqui, descubra e divirta-se!


elementar

08/03

Após a leitura de dois livros do Sherlock Holmes cheguei a seguinte conclusão: Conan Doyle foi o primeiro autor de siticom que existiu. Escrevia em episódios curtos e ageis. Cena 1: Invariavelmente os personagens centrais, Holmes e Watson, encontravam-se distraídos no apartamento da Baker Street quando o primeiro criava uma provocação ao segundo. Em seguida a campainha tocava e mais um caso tinha início.


 

PAULO SCOTT

05/03

vai lá! Ithaca road:


... a sensação de que o gabinete de trabalho flutua no ar, prazos, distâncias, contas dobradas no bolso, um céu querendo acinzentar, luz, e o teu sorriso sem pânico sobre a certeza fabulosa de que, até mesmo quando atravessou a faixa de segurança olhando pra trás, não deixou nem por um segundo de respirar


Viagem no tempo através do azul

05/03

Do diário intimo de Lima Barreto

MANGUEIRA

A montanha é alta. O verde vai esmorecendo e para cima há cambiantes azulados. O sol côa-se através de nuvens na altura da Tijuca. Há múltiplos matizes confundidos.

CENTRAL

O sol mais forte. As nuvens franjaram-se de ouro. Como doidas correm para as bandas Petrópolis.

7 de janeiro de 1905

A manhã bonita. Desço. Tudo azul. A paisagem é de algum modo européia.

PRAIA FORMOSA

A serra dos Orgãos aparece por entre os morros de s. Diogo e os do bairro Vermelho, azul ferrete com tons de aço novo. O mar aparece espelhento, dando a ilusão de ter nível mais alto que o da terra.

CAMPO DE SANT'ANNA

Ar polvilhado de alegria. Azul diáfano. Tudo azul. As árvores verdoengas do parque destoam. O rolar das coisas é azul. Os bondes azuis, as casas azuis, tudo azul...

O Subterrâneo do Morro do Castelo

LIVROS DA NOSSA ESTANTE 3

03/03


PROJETO CONSTRUTIVO BRASILEIRO NA ARTE (1950-1962). É uma edição de 1977 com projeto gráfico de Amilcar de Castro.

floating castle

03/03

Coisas publicadas em 2007 na internet parecem mais antigas que livros publicados no mesmo ano. Essa foto já deve ter circulado bastante. Por outro lado uma casa flutuante é um lugar eterno nas mentes humanas, um lugar comum.


Ainda sobre cartazes

01/03

O que o Bachs me contou: os cartazes eram caseiros. Impressos em serigrafia sobre papel de má qualidade. Foi a solução encontrada para a carência do material publicitário dos filmes que eram proibidos em Cuba.


 

um pouco sobre a vida entre livros...

01/03

Isso não é um diário, mas deu vontade de dividir uma história pessoal.  Tive a sorte de conhecer o Eduardo Muñoz Bach no saguão do Hotel Nacional durante o Festival do Rio. Ele havia feito o cartaz do festival e ocupava uma mesinha com cartazes cubanos de cinema para venda. No final, quando ele já estava de volta, me presenteou com diversos cartazes que infelizmente perdi nas diversas mudanças.

Eu tinha 18 anos e estava trabalhando com a Rose Lacreta na mostra Olhar Feminino. Minha maior e melhor função era acompanhar a Laurie Anderson. O filme Home of The Brave foi lançado na programação. Eu tinha um fiat bege e era péssima motorista, mas passeamos bastante e almoçamos na floresta da tijuca.Foi quando eu tive a inspiração de leva-la para voar de Asa Delta com meu amigo Casimiro (e ela voou e o Jonatham Demme também). Mas na verdade o assunto nem é este... daí só veio o conselho dela para que eu não me arriscasse muito na vida pois era meio destrambelhada.

O fato é que peguei um cartãozinho do Bachs e nem sonhava que um dia seria editora de livros. Em 2001 quando editei o Seis Problemas para dom Isidro Parodi de Jorge Luis Borges e A. Bioy Casares (edição que por si só já teria algumas histórias para contar já que para uma pequena editora qualquer feito é fruto de aventura...) cismei que a capa tinha que ser feita por ele. Conseguimos um contato telefônico, mas precisávamos pagar e pegar a arte da capa. A Antonia Pelegrino, amiga animada, ia para Cuba dar uma volta na ilha  e visitou o Bachs por nós. Voltou com o original da linda capa na bagagem. Quando o livro foi lançado e ligamos para contar a novidade ele já havia falecido. Foi seu último trabalho...
Neste site que linkei ao lado tem um pouco da sua arte efêmera e eterna. Aqui o cartaz do Festival do Rio de 1986!!!!

Se estivesse em Brasília, não perderia esta exposição:

Seis Problemas para Dom Isidro Parodi

Por Mês