Arquivos para o mês de Junho de 2010
Primeiro ele me contou, o pequeno Josué, que o Sol era avô. Se os planetas são seus filhos, as luas são suas netas. Depois ele perguntou porque a lua não tinha nome.
– Filho, assim como Terra é o nome de um planeta, Lua é o nome de um satélite natural. Chamamos os outros 150 satélites naturais do sistema solar de luas porque o nosso é a referência para os demais. Lua vem de Luna, o nome romano da deusa grega Selene e segue o mesmo padrão – nomes de deuses romanos – dos outros objetos celestes.
Mas nada disso era tão claro como ficou por conta do sol avô do Josué.
PS
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Cadeira verde vazia, mesas de madeira, bolsa de laptop, sacola plática, palco da Casa da Gávea, microfone desplugado e Paulo Scott.
filme clip ficção
O filme Bitols, de André Arieta abriu a décima quarta edição da revista De Modo Geral. A edição é a protagonista, e isso pode irritar, mas acentua as idiossincrasias da cena musical de Porto Alegre nos anos 90. Um passo para frente e dois para trás. O filme, que segue e rebubina, se passa durante o dia de uma banda sem sonhos nem pesrpectivas. Imagens de arquivo nos levam para a dimensão da época e o cabeludo produtor Miranda anuncia o dilema a ser revelado: tudo bem não gravar um cd mas não é nada demais gravar uma demo. Parece fuleiro mas não para os Bitols. A vida é feita de tantos percalços, desentendimentos e falta de grana! A música Walter Waterloo é um fundamento. Um refrão napoleônico de hospício, faraônico de farol. É um filme sobre tudo que acontece quando nada acontece. Porto Alegre, bairro do Bonfim, onde ninguém dorme nem acorda do sonho. Se para o Miranda ficar no "querer ser" não basta, para o André bastou para fazer um filme muito bacana.


Carlos Sussekind e sua sabedoria
revista DMG será na noite de são joão
Convidados muito especiais!

numa noite de vento terral
quando falam que não houve vítimas penso em ninhos, abelhas, besouros, bromélias...Praticamente um vulcão no Rio de Janeiro.

Da Gávea a cena as 2h era menos incandescente.

Jabulani em zulu significa celebração
Já que em toda casa de menino não pode faltar uma bola, a fábrica também não pode parar. Na Copa de 2002, grávida do segundo filho, tropecei na bola do filho mais velho e caí de barriga no chão. A vida rola e em 2010 estamos todos aqui esperando a nossa Jabulani. Aqui a versão sem trilha (via Dedé). Muito legal!
A fera na selva de Bolaño
A arte, disse, é parte da história particular muito mais do que da história da arte propriamente dita. A arte, é a história particular. É a única história particular possível. É a história particular e ao mesmo tempo a matriz da história particular. E o que é a matriz da história particular?, perguntei. Ato contínuo pensei que me responderia: a arte. Também pensei, e esse foi um pensamento afável, que já estávamos bêbados e que era hora de voltar para casa. Mas meu amigo falou: a matriz da história particular é a história secreta.
...
Você deve estar se perguntando o que é a história secreta, disse meu amigo. Pois bem, a história secreta é aquela que nunca conheceremos, a que vivemos dia a dia, pensando que vivemos, pensando que temos tudo sob controle, pensando que o que passa batido por nós não tem importância. Mas tudo tem importância, cara! O que acontece é que não percebemos. Acreditamos que a arte vai por uma calçada e que a vida, nossa vida, vai pela outra, e não percebemos que isso é mentira.
O que existe entre uma calçada e outra?, ele me perguntou. Devo ter respondido alguma coisa, suponho, mas não me lembro do que disse porque nesse momento meu amigo viu um conhecido e o cumprimentou com a mão, desviando a atenção de mim.
O trecho é do conto Dentista do livro Putas Assassinas de Roberto Bolaño (Cia das Letras, 2008). Até o final a resposta fica no ar que se adensa nas "vertentes desconhecidas da noite".
O amigo é o dentista e o conhecido do amigo, que interrompe a conversa, é José Ramirez, o rapaz. Bolaño nos dá a bela visão (comum aos outros contos deste livro) de quando o mundo das sensações é explorado e experimentado e não somente organizado em literatura bela e "pronta". A escrita-leitura acontece no espaço "entre". O espaço entre uma calçada e outra, onde a arte e a vida – flexíveis, esponjosas, defeituosas e elásticas – podem se encontrar.
COPA
tendência trancinhas
pena do Green (muita pena)
select canal vuvuzela (!!!!!!!)
Maradona curtiu

Zenani Mandela
Muito trágico o episódio da morte da bisneta de Mandela. Um contato com a dimensão terrivelmente humana por trás de uma festa que quase todo o mundo assistiu pela TV. A menina de 13 anos, feitos no dia anterior, morreu em um acidente ao sair de uma das maiores comemorações já realizadas em seu país. O fato virou notícia por conta de Zenani ser bisneta de quem é. E nada – festa, shows, copa, comemorações, Mandela – impediu sua morte prematura. Senti pena quando vi sua foto. Talvez porque uma das coisas que penso quando alguem morre é que ela não verá a próxima Copa. Deus te acompanhe, Zenani!

elegância de traços finos para envolver sentidos históricos
Incriveis as ilustrações do Marcus Wagner para a Folha de São Paulo.


Adoniran Barbosa

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Ataulfo Alves

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Assis Valente


Cartola


Dona Chiquinha Gonzaga


Dorival Caymmi

Ernesto Nazareth

Geraldo Pereira

Gonzagão


Nelson Cavaquinho

Noel Rosa

Pixinhguinha

Sinhô e Tia Ciata


Vanzolini

Waldir Azevedo
Marinho | Mario Angel | OPERFIL
Chegaram as novas camisetas-muro do artista Marinho. Ele fez poucas e muito boas. Quem quiser é só ligar que vai voar rápido. Os tels dele: 85387322 ou 25137115.






OBJETO SIM OBJETO NÃO
Fred Coelho tem publicado em seu blog pensatas sobre o Rio de Janeiro. É um contraponto para o diálogo sobre a cena atual.
exposição
não se trata da exposição da pele aos raios solares, ou aquela que acontece em galerias e museus. E sim daquela que pode tornar o sujeito intratável. A exposição de pesamentos em palavras e ações. Considere Lima Barreto e sua mão asquerosa e as cortinas que se fechavam quando Nelson Rodrigues tocava a campainha. Imaginem amiguinhos atravessando a rua para não falar com o Waly Salomão ou a rejeição social que sofreu a "esquisita" Clarice Lispector. O fato é que eles foram sujeitos e não deixaram de expor suas almas. O melhor do filme sobre o Vinicius foi o Chico Buarque perguntando o que seria do poetinha hoje no tempo da política dos resultados. O que seria da Clarice hoje sem assessoria de comunicação?
Quanto o artista Ernesto Neto expôs quando criou com o Marcio e com a Laura, a galeria A gentil carioca? Ou a galera da praia quando fez do lugar a melhor festa de final de ano? Exemplos são milhares de gente que dá o passo pro meio e acredita no caldo compartilhado. Não adianta ser o mega master produtor cheio de equipamento bacana e não fazer nada de graça. A vida é de graça. O Enrique Diaz leu um texto lindo sobre isso na peça "O otro". De graça nem sempre é sem ganhar dinheiro. De graça é pela graça de fazer e de viver.
sempre
De vez em quando passeamos por vazios de certezas. Numa dessas voltei desconfiando da palavra sempre. Amigos vieram em sua defesa ou no intuito de juntar questões. A Carô Veiga disse que é uma metáfora do tempo. O Carlito Azevedo provou que não é um prazinho qualquer como "já já" e "mês que vem" e trouxe palavras de Niestzsche para endurecer o discurso de que "sempre" não suporta a condição mutável dos sentimentos humanos. Bolaño, que segue as pessoas que entraram pelo buraco errado, me mostrou o milagre da transposição de sentimentos perdidos em palavras desenganadas. Descobri a verdade: "sempre" é apenas uma oficina de carros.
li no twitter do elrodris (que não é Paulo Scott)
- a ventania é o primeiro bicho da casa
palavras que causam arrepios
SEMPRE: termo usado em velórios, em casamentos de princesa, em finais de histórias infantis ou para provocar emoções baratas.
Sempre é o "me engana que eu gosto" do nosso vocabulário.
Alguém saberia dizer: sempre é até quando?
presente
Ganhei o livro Transatlântico de Mariana Marques, uma edição perfeita da La Barca Editora.
Não conheço as pessoas que criaram este trabalho tão lindo mas fiquei muito feliz com a lembrança. São primos editoriais. Parentesco náutico e ultramarino!
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