Arquivos para o mês de Setembro de 2005
ENCONTROS E BAGATELAS com Sérgio Sant'Anna no sábado dia 17 a partir das 14 horas

www.interludio.net

Newlands passeia e seu olhar ilustra.
Durante o Mercado Odeon ela esteve por aqui.
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copiado do blog da Cecília Giannetti (www.escrevescreve.blogger.com.br)

Olha uma prateleira em qualquer livraria meia-boca e se pergunta: precisa mais? Mais livros, mais autores, mais peso, volume e repetições, mais livros pra você encaixotar toda vez que se muda?
Quantos livros escritos por doentes surgirem são os livros necessários. Se 1.000 doentes escreverem o dobro de livros por ano, precisamos de todos esses livros. Se um doente comenta o que vê - na escola, no bar, no trabalho, à mesa com a família - tá fudido. Fu-di-do. É na conversa que ele joga fora, no ato de falar e rir, rir alto do absurdo de si e dos outros, sem controlar que palavras utiliza ou o ritmo que escolhe pra dizê-las, é nisso que ganha pecha de maluco. De doente.
Certas coisas - boa parte do que acontece - só devem ser ditas em livro; algumas pessoas só devem falar em livro. Se escrever um livro é um mergulho na possibilidade do extremo ridículo [auto-ridicularização, por exemplo, e convite tipo bunda-na-janela ao esculacho], disparar com a língua - a vermelha, a molhada, a que fica dentro da boca, a que - não serve. Fale o estritamente necessário quando não estiver entre a meia dúzia que fala a sua língua. O resto e pro resto você deixa no papel. Não descarta isso aqui como soberba verbal pró-misoginia, não. Mas falar a cabeça pode ser falar a doença, escrever a cabeça pode ser outra coisa; pode ser uma história, pode ser o seu jeito de falar pausadamente - ou melhor, de fixar em algum lugar calmo o que é difícil enxergar quando sai pela boca. Mesmo que fixo, preto no branco, as atrocidades entram melhor no ritmo dos carimbadores. Os carimbadores fazem um trabalho lento. Da almofadinha com tinta preta pra sua testa é rápido - DOENTE - mas tudo o mais que precisam carimbar é carimbado lerda e preguiçosamente. Não adianta as coisas sem tinta voando boca afora com todas as conexões e desconexões, memórias desengavetadas, histórias escabrosas, piadas de mau gosto que fazem aquela meia dúzia de fudidos descarregar as tripas no carpete e o resto te carimbar de um jeito ou outro - é mais eficaz pra destruir uma boa história do que amassar o papel todo rabiscado e tacar na lixeira.
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